quarta-feira, 2 de abril de 2014

É brincando que a criança se desenvolve

É brincando que a criança se desenvolve

Brincar faz parte da infância e, embora pareça só diversão, é o momento em que a criança está se desenvolvendo. Sabemos que criança sempre procura um jeito de brincar.
Alguns estudiosos do assunto dizem que a criança já nasce sabendo brincar e outros dizem que a criança aprende a brincar. Na Pastoral da Criança aceitamos as duas opiniões: há um instinto que nasce com a pessoa para o brincar e também aprendemos as brincadeiras da cultura em que vivemos. Para o bebê o primeiro “brinquedo” é o próprio corpo e o da mãe.
 
a-importancia-do-brincar-menino-pintandoHoje em dia a longa jornada de trabalho da mãe e do pai, a violência principalmente nas grandes cidade, a falta de saneamento e limpeza das ruas e as novas tecnologias afetaram o modo de brincar das crianças. Sem poder ir para a rua, elas ficam muito tempo dentro de casa, em um espaço limitado e convivendo com poucas crianças também.

 As crianças de hoje, que moram em cidades grandes, têm pouco contato com a natureza. É ao ar livre que a criança tem momentos de participação livre e ativa, nos quais ela tem oportunidade de tomar a iniciativa, subir em árvores, pular obstáculos, pisar na terra e brincar com água. Brincando juntas as crianças podem vivenciar diferenças de todo tipo, cada criança pode compreender seu lugar no grupo, perceber suas habilidades, sua força, seus limites e também os das outras crianças. A inexistência desses espaços faz com que as crianças fiquem privadas de situações de vida ricas e estimulantes que promovem seu desenvolvimento.

SAIBA MAIS

Através da brincadeira, a criança ultrapassa a realidade, transformando-a através da imaginação. A brincadeira é uma das formas encontradas para expressar sentimentos e desejos. Os adultos podem estimular a imaginação das crianças, despertando ideias, questionando-as e incentivando para que elas mesmas encontrem as soluções para os problemas que possam surgir.
Brincar com a criança reforça os laços afetivos e eleva o nível de interesse da criança com a brincadeira, estimulando ainda mais a sua imaginação. 

Por tudo isso, o desafio da Pastoral da Criança é criar momentos para que as crianças possam brincar juntas, em liberdade vigiada e ao ar livre. É preciso que as comunidades se mobilizem e juntas consigam espaços apropriados para que nossas crianças possam brincar e aprender desde cedo a importância da organização, mobilização e sociabilização comunitária.
Saiba mais: Como o bebê e a criança podem aprender e se desenvolver? 1º semana de vida1 mês2 meses4 meses6 meses9 meses1 ano2 anos3 anos e 4 e 5 anos.




Para conversar sobre a importância do brincar, a Márcia Mamede, educadora e assistente técnica da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

Márcia, porque brincar é um direito da criança, e qual é a sua importância?

Brincar é uma necessidade para o desenvolvimento da criança, sendo assim, é o direito que ela tem, inclusive consta no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Artigo nº16. A maioria das pessoas pensam que a criança brinca apenas para se distrair e ter prazer, mas a brincadeira é necessidade, porque de acordo com a idade da criança, a brincadeira evolui e a própria relação da criança com o adulto se modifica. Vemos que a brincadeira do bebezinho é uma, quando a criança começa a andar é outra e quando ela começa a imaginar, pensar, entra a brincadeira de faz de conta, que é muito importante.
 Marcia Mamede e a importância do brincar
Márcia Mamede - Educadora e Assistente Técnica da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança

No brincar a criança é protagonista, ela tem liberdade para brincar, não é Márcia?

Exatamente, o que nós entendemos por brincadeira da criança, é a atividade que tem como característica fundamental, a livre escolha dela. Com “livre escolha”, estamos querendo dizer, é que é a criança que decide quando, com o que, com quem e como ela quer brincar. É por meio dessas escolhas que a criança, desde bem pequena, começa a exercitar o que chamamos de autonomia.
A criança vai se tornando capaz de decidir o que é melhor para ela em determinados momentos, vai aprendendo a julgar o que ela gosta e o que ela não gosta de fazer e isso contribui na formação dela em ser um cidadão crítico e consciente do que faz. A brincadeira é a única hora em que, quem escolhe se quer brincar ou não, é a criança.
A criança pode escolher a hora de comer? Hora de dormir? Hora de tomar banho? Não. Na hora da brincadeira então quem escolhe, quem comanda, é ela.

Qual é o papel dos pais nas brincadeiras dos filhos?

A atitude básica, seja do pai, da mãe, dos familiares ou de qualquer pessoa, e no nosso caso na Pastoral da Criança, brinquedistas e brincadores, em relação a brincadeira da criança, é estarem disponíveis para o que ela pedir. A criança, as vezes, quer brincar, quer que pegue uma coisa, ou quer ir para fora, e o adulto deve estar disponível.
Também o adulto pode propor brincadeiras, ele não pode impor. E outra coisa importante, estarem atentos, porque é o adulto que da essa proteção da criança não se machucar, não machucar outra criança. O fundamental é a questão da disponibilidade com o brincar.

Qual é o maior erro dos pais quando o assunto é brincar?

É achar que é preciso comprar brinquedo, ou é preciso dar brinquedos, e como eu já falei antes, mandar na brincadeira. Segundo achar que só comprando, que dando presente, é que a criança brinca. A criança não precisa do brinquedo, brinquedo até enriquece, mas ela brinca de muitas maneiras.

A CRIANÇA QUE BRINCA MUITO E LIVREMENTE COM OUTRAS CRIANÇAS, É UMA CRIANÇA ALEGRE E ACEITA MELHOR OS LIMITES DADOS PELOS ADULTOS

Também não relacionar as brincadeiras com o consumo, quer dizer, que tem que comprar, que tem que dar algo, tentando até suprir a ausência dos pais. Isso é um erro que os pais fazem.

E uma criança que brinca muito, que características são evidenciadas nessa criança?

Geralmente, eu vejo que a criança que brinca assim, muito e livremente com outras crianças, é uma criança alegre, aceita  melhor, por incrível que pareça, os limites dados pelos adultos. Ela convive também melhor com as outras crianças, porque nas brincadeiras elas vão aprendendo a ganhar, perder, a trocar, a dar a vez, a ajudar, e isso vai criando um sentimento de solidariedade, a brincadeira proporciona isso.
Logicamente, se ela brinca muito com outras crianças ela é mais sociável e está acostumada ao convívio, não é isso? Criança entre criança tem que lutar pelo que é seu. Quando brinca com o adulto, por exemplo, o pai e a mãe tem a tendências, as vezes, de ceder para criança fazer a parte mais importante da brincadeira. Mas entre criança não, então ela tem que ter iniciativa para se defender, ela é mais independente, e, principalmente, criança que brinca  livre, faz movimento, pode correr, saltar, ela tem saúde.

Sabemos que na Pastoral da Criança existe o “brinquedista”. O que é que se espera de um brinquedista na comunidade?

O brinquedista é o promotor e defensor de mais oportunidades para fazer com que as brincadeiras das crianças aconteçam em casa e na comunidade, e agora temos o brincador para ajudar o brinquedista nessa missão. Mas o brinquedista continua sendo o responsável pela preparação e acompanhamento dos brincadores.

Quem é o brincador?

O brincador é a pessoa que tem o compromisso de organizar, todo mês, no dia da Celebração da Vida, um espaço para as crianças brincarem. O brincador também sugere brincadeiras para fazer com as crianças, e entra na brincadeira das crianças. O brincador não precisa ser um palhaço, ele tem que ser uma pessoa que goste de brincar, goste de criança, e entenda que quem manda na brincadeira é a criança.

Como evitar que as crianças destruam os brinquedos?

A questão da destruição é o limite, “olha o brinquedo é para brincar, esse brinquedo é de todo mundo, se você brincar assim, você vai estragar e depois seu coleguinha não vai poder brincar”. O limite tem que ser claro. Outra alternativa é distrair, convidar para uma outra brincadeira, para fazer outra coisa. Como o brinquedo não é de uma só criança, ela tem que respeitar e não pode destruir uma coisa que é de todos, esse limite tem que ser dado.

O que é uma brincadeira de qualidade? E o que é preciso fazer para que ela aconteça?


SAIBA MAIS

Brincadeira de qualidade é a brincadeira escolhida pela criança, o que precisa é deixar a criança escolher como quer brincar, se puder ter brinquedo variado e outras crianças, essa brincadeira fica ainda mais enriquecida. Brincadeira de qualidade, é a brincadeira escolhida pela criança.

A Pastoral da Criança esta conseguindo que nas comunidades o brincar aconteça?

Nas comunidades, onde tem brinquedista, começamos  ver essas oportunidades aumentando. Infelizmente, nós estamos com muito poucas comunidades com brinquedistas, por isso que criamos a estratégia do brincador, porque é bem mais simples. O brincador não precisa fazer capacitação do guia, não precisa nem morar na comunidade. Podem ser jovens que morem perto e que possam ir na celebração da vida. Queremos, pelo ao menos, garantir o brincador na celebração da vida, e mostrar assim, esse ponta pé inicial, como é importante brincar, para que realmente, aumente as oportunidades das crianças brincarem nas comunidades.

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